sábado, 30 de janeiro de 2010

27 - 01 - 2010 ~ Rasgão

O sentimento rápido e relaxante de afundamento é tanto exorbitante, como talvez, dos momentos mais calmos da nossa vida.

Afunda-te, afoga-te. O fim não pode chegar depressa o suficiente.
Sabes que no fundo é como se algo te puxasse das suas entranhas, das suas mais secretas e alegoricas profundezas, porém simultaneamente, esta sensação embala-te, comforta-te, deixa-te balançarnos seus braços como um bébé docemente adormecido, dá-te um beijo carinhoso e sentido, e logo larga-te, e aí-

..Apenas podes cair.

Cair no fundo. Cair no buraco. Cair na inexistencia. Cair naquele lugar especial, dividido entre a luz e as trevas. Cair na coragem forjada, com medos renovados á busca do seu diferimento.

Recosta-te, e solta-te.
Desiste, sem resistir.
Derrete, e escorre. Escorre todos aqueles sentimentos contidos nas lágrimas que não podes soltar, domestica a tua raiva sem realmente a controlares, deixa as tuas insinceras emoções do que são consideradas os ideiais "morais" da sociedade hipócrita.

De qualquer forma, estás cego, percorres um caminho que nao conheces, a tua incapacidade de ver a verdade no mundo mudou-te para esta lástima de amostra humana.
Consegues sentir a ironia, ou é demasiado subtil até para ti?
Esboça um sorriso, vá lá.

A porta fechou-se, a jornada termina, e este foi o teu ultimo passo em falso.

Chega. Basta. Acabou.
O permanente sufoco que agora, quase oiço alcançar-me, aperta-me, prende-me.

Não terás a tua vitória.
Se fosse mais masoquista, diria que as minhas lágrimas eram de felicidade, e as tuas de pura risada.

Sem comentários: